O que é dinheiro e como ele funciona? – Uma explicação simples

Por Addison Quale

Alcançar uma compreensão clara do sistema monetário e de por que o ouro é tão importante não é tarefa fácil. Na verdade, é bastante complicado. Mesmo quando economistas da Escola Austríaca de Economia tentam explicar de que maneira, exatamente, esse sistema é insustentável, o resultado nem sempre é um quadro preciso, e os leitores permanecem coçando a cabeça em meio a dúvidas.

Por exemplo, os proponentes do ouro fazem uma série de críticas graves contra o atual sistema monetário baseado no dólar americano. Eles dizem coisas como: “Apenas o ouro é dinheiro. O dólar é uma moeda fiduciária – um título de dívida embelezado!”

E  acrescentam: “Apenas dinheiro de verdade pode extinguir uma dívida. O dólar não é dinheiro de verdade. Assim, portanto, nenhuma dívida jamais é extinta no atual sistema; ele precisa se manter acumulando e acumulando ad infinitum”.

É por essas razões que os proponentes do ouro triunfantemente concluem: “O sistema monetário baseado no dólar é basicamente um esquema de pirâmide gigante que colapsará em algum momento”.

Essas declarações estão corretas. E sem dúvida muitos de vocês estão balançando a cabeça em concordância. Mas ao mesmo tempo, em um nível mais profundo, a economia monetária é um tópico difícil de se examinar e compreender. Além disso, o colapso econômico frequentemente previsto por muitos analistas de orientação austríaca parece estar se aproximando cada vez mais rápido. Então, talvez você esteja se perguntando: “Estas declarações são realmente verdadeiras? E se assim for, como entendê-las?”

Essas são as questões que este artigo pretende elucidar. Afinal de contas, quanto melhor entendermos essa situação de moeda fiduciária e o quão potencialmente desastrosa ela é, mais poderemos espalhar a mensagem e ajudar as pessoas a se prepararem para o que está por vir.

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Parte 1: Um pacote de açúcar

A fim de fazer isso, eu gostaria de utilizar uma ilustração muito simples.

Digamos que você queira fazer um bolo em casa, mas você percebe que não tem açúcar. Então você atravessa a rua em direção à casa do seu vizinho (vamos chamá-lo de Bob), bate na porta e pede-lhe um pacote de açúcar emprestado. Bob é um cara legal, e aceita.

Obviamente, fica subentendido que você pediu emprestado de Bob – não era um presente. Ou seja, agora você tem uma dívida de um saco de açúcar em seus registros. A dívida será válida até que você pague de volta a Bob um pacote de açúcar.

Digamos que no dia seguinte você passasse na casa de Bob novamente levando um pacote de açúcar. Isso seria o fim da sua dívida com ele. O pacote que você lhe entregou paga integralmente aquele que ele havia emprestado anteriormente. Assim, a dívida fica extinta. Morta. Nessa nossa economia simplificada existe agora zero de dívida.

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Parte II: O título de dívida

Agora vamos dizer que em vez de pagar de volta a Bob um pacote de açúcar, você lhe dá um pedaço de papel que diz: “Esta nota é um título da dívida. Ela representa a minha dívida de um pacote de açúcar com Bob”. E você a assina e mostra a nota a Bob, e ele diz: “Obrigado. Isto torna a situação atual de seu endividamento muito clara para mim”. Até aí tudo bem, mas não se engane; dar a Bob o título da dívida não extingue a dívida. Seria ingênuo pensar que o assunto agora está resolvido.

Embora o título traga clareza para a transação e certifique o seu endividamento, ele meramente representa o pacote de açúcar devido. Obviamente, ele não é um pacote de açúcar. A dívida não será extinta até que você traga a Bob um pacote e o título da dívida seja rasgado e anulado.

Espero que nenhuma dessas afirmações soem estranhas. Eu diria que tudo isso é muito simples e fundamental, e nada controverso.

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Part III: A circulação dos títulos de dívida

Vamos adicionar mais uma camada então. Suponha que você tem uma reputação muito boa na cidade. Todo mundo o conhece e sabe do seu histórico de bom pagador. Sua credibilidade é inquestionável, ela é classificada como “AAA”.

Por esta razão, quando você toma emprestado alguma coisa (ou compra a crédito) e em troco dá aos emprestadores títulos representando o que você deve, as pessoas passam a ver os títulos como valiosos em si mesmos. Na verdade, já que muitas vezes é mais prático, as pessoas acabam utilizando os títulos da sua dívida para comprar outras coisas, em vez de trazê-los de volta para você e receber o pagamento. Assim, acontece de outras pessoas, terceiros, virem até você com o título a fim de receber o pagamento original da dívida – e você lhes paga o que é devido.

Por exemplo, digamos que após tomar emprestado um saco de açúcar de Bob em troca de um título de dívida, Bob vai ao mercado local. Lá, ele vê seu pão favorito e o compra do vendedor (vamos chamá-lo de Chris), pagando por isso com o título da dívida. Ele simplesmente assina o seu nome no papel depois de escrever: “Eu, Bob, abandono o meu direito sobre este título e o transmito a Chris”. Chris o aceita, é claro, pois todos conhecem a confiabilidade dos seus títulos. Agora ele sabe que você vai pagar um pacote de açúcar somente para ele, em vez de pagar a Bob.

Acontece que Chris também pode resolver usar o título para comprar uma dúzia de ovos de Donna. Ele simplesmente escreve que o título agora pertence a ela e assina. E Donna, em seguida, pode fazer o mesmo para comprar leite de Ethel. E Ethel pode fazer o mesmo para comprar uma abóbora de Frank, e assim por diante. Teoricamente, esse cenário poderia continuar ad infinitum, com o seu título no valor de um pacote de açúcar circulando por toda a cidade durante semanas a fio. Dessa forma, o seu título realmente se tornaria uma espécie de moeda.

Contudo, novamente, não se engane; embora as pessoas estejam pagando por bens e serviços com o seu título de dívida, aquela dívida original de um pacote de açúcar ainda não foi extinta. Eu gostaria de enfatizar esse ponto repetindo-o: mesmo que fornecedores, após receberem o seu título como pagamento, saiam das transações satisfeitos, a dívida original de um pacote de açúcar ainda tem que ser paga. Ela está ativa, porque você ainda não teve que pagar aquele pacote de açúcar representado pelo título.

Um dia, porém, isso deverá mudar. Em algum momento, alguém pegará aquele título e, em vez de usá-lo para comprar alguma outra coisa, demandará o seu resgate. Talvez por estarem céticos quanto à sua confiabilidade, ou talvez, coincidentemente, um saco de açúcar é exatamente o que a pessoa precisa. Em ambos os casos eles virão bater à sua porta trazendo o título original e exigindo um saco de açúcar como pagamento, e você terá que atendê-los. Uma vez que você fez isso – que você dá a esse portador atual do título um saco de açúcar -, então, e só então, a dívida terá sido extinta. Até esse ponto, a dívida permanecia pendente dentro dessa nossa pequena economia.

É claro que você poderia se recusar a resgatar o título – talvez você esteja falido ou seja simplesmente uma pessoa desonesta. Você poderia se recusar a dar o devido pacote de açúcar. Isso seria um calote. E é claro que haveria consequências. Em primeiro lugar, o portador atual do título sofreria uma perda financeira equivalente a um pacote de açúcar. Em segundo, todos na comunidade ficariam sabendo desse calote, e sua reputação e credibilidade seriam arruinadas. Você teria muita dificuldade em comprar qualquer coisa novamente com um título de dívida porque menos pessoas estariam dispostas a confiar na sua palavra. 

 

Parte IV: Entram em cena o ouro e a prata

Agora que temos essas três primeiras camadas de ilustração em mente, vamos evoluir um pouco a nossa economia. Como é sabido, depois de milhares de anos de atividade econômica, o ouro e a prata foram escolhidos ao redor do mundo como as commodities mais proeminentes para uso em trocas económicas. O ouro e a prata se tornaram “dinheiro”. Assim, quando as pessoas compravam, eles pagavam aos vendedores um preço acordado em moedas de ouro e de prata. Uma vez pago, era o fim do processo. A dívida ficava extinta naquele momento.

Aqueles que queriam comprar algo a crédito geralmente não davam aos vendedores títulos representando coisas como “um pacote de açúcar” ou “uma dúzia de ovos.” Em vez disso, eles davam títulos denominados em onças de ouro e de prata.

Então – voltando à nossa história e a atualizando -, se você tivesse que pedir um pacote de açúcar a seu vizinho Bob, em vez de lhe dar um título que vale um pacote de açúcar, o mais provável é que você lhe desse um título que valesse, digamos, uma onça de prata. Assim como o resto da história mostrou, assumindo que a sua reputação fosse realmente cinco estrelas, Bob poderia tomar esse título de uma onça de prata e utilizá-lo para comprar outra coisa no mercado. E aquele título poderia circular sobre a cidade entre várias pessoas através de várias transações durante semanas a fio, exatamente como no exemplo original.

Mas vamos deixar isso bem claro: até que o titular atual do título apareça na sua porta e exija o resgate – demande de você uma onça de prata – aquela dívida original ainda estaria válida e existente. Não teria sido extinta da economia.

Em outras palavras, a moral da história é que apenas o pagamento real de dinheiro (prata, neste caso) extingue a dívida. Pagar com títulos de dívida, pelo contrário, apenas faz a dívida original trocar de mãos em um circuito fechado. O movimento de títulos circulando pela economia através de muitas transações, portanto, é semelhante a um jogo de batata-quente. A batata (a dívida) se move de uma mão para a outra, mas nunca sai da roda, Se a música parar quando é você quem está segurando o título da dívida, você perde!

Em uma sociedade honesta e livre baseada no intercâmbio econômico livre as dívidas são extintas. É como deveria ser. Porque quando o resgate é exigido de um devedor, o devedor é obrigado a pagar em dinheiro real – ou inadimplir e encarar as consequências negativas.

É também por isso que podemos dizer que enquanto os títulos de dívida continuam circulando e não sendo resgatados em troca de dinheiro real, a dívida total não está sendo extinta. Ela está apenas crescendo – e o risco de inadimplência cresce junto. Não é exagero considerar isso como um sério motivo de preocupação.

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Part V: Distopia – Tirania monetária e econômica

Antes de concluir, vamos adicionar outra camada à nossa ilustração. Vamos dizer que, mais uma vez, você tomou emprestado um pacote de açúcar de seu vizinho Bob, pagando por isso com um título representando uma onça de prata. Bob, confiando que um título seu é tão bom quanto ouro, gasta-o no mercado da esquina e ele começa a circular pela economia da cidade sem ser trazido de volta para você pagá-lo.

Na semana seguinte, esse processo se repete.

Imagine agora que os meses passam e, depois de ter feito 1.000 compras a crédito, há 1.000 títulos da sua dívida em circulação na economia da cidade. Eles estão circulando em todo o lugar e nenhum deles ainda tem que ser resgatado. As pessoas simplesmente assumem que elas poderão sempre vir a você e resgatar os títulos por prata quando quiserem. Elas confiam em você implicitamente.

Isso o tenta a seguir por um caminho perigoso. Todos confiam tanto em você – porque você é visto como um grande benfeitor desta pequena sociedade; o aliado mais forte, o melhor homem de negócios e, de quebra, a figura mais rica. Você tem fornecido segurança para um número considerável de famílias na cidade nos últimos anos apenas para ser benquisto. E a sua presença está mantendo à distância algumas famílias hostis que se escondem nas proximidades.

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E então você fica pensando… talvez a sua proteção para a sociedade mereça ser recompensada um pouco melhor. Depois de tudo que você fez para ela, você não se sente realmente no dever de pagar de volta todos aqueles títulos no valor de 1.000 onças de prata. Seria muito melhor se você não tivesse que fazê-lo. Quero dizer, na verdade você nem sequer tem 1.000 onças de prata disponíveis – seu cofre está quase vazio. Você acabou de aprender que as pessoas nunca viriam todas cobrar ao mesmo tempo, então você começou a emitir títulos de dívida sem de fato ter a prata para lastreá-los. E, para completar tudo isso, tudo parece estar correndo muito bem sem você ter pagado nada de volta. Então que diferença faria realmente se você não pagasse?

Aí você cede à tentação e unilateralmente declara que está fechando a sua “janela de prata”. Daí em diante, todos os seus títulos em circulação não serão mais resgatáveis em prata física. Em contrapartida, você anuncia que eles poderão ser emprestados de volta para você e que você pagará um juro generoso por isso, também pago na forma de seus confiáveis títulos de dívida (afinal, eles viraram dinheiro, não é mesmo?).

Enquanto isso, devido à sua provisão de segurança para muitas famílias estar sendo de tão alto nível e por não existir outro título com a credibilidade e a popularidade que o seu alcançou, você também declara unilateralmente que, doravante, para todos os territórios para os quais você fornece segurança, todas as trocas económicas no mercado deverão utilizar os seus títulos. Nenhuma outra forma de pagamento pode ser utilizada – nem mesmo ouro e prata.

Além disso, todas as famílias que se beneficiaram da sua proteção e segurança ao longo dos últimos anos têm agora que pagar um imposto anual de segurança obrigatório para você – que deve ser na forma de seus títulos também. E agora não há outra opção fora desse arranjo de segurança, uma vez que é de extrema importância que o território da sociedade seja defendido dessa vizinhança hostil anteriormente mencionada. Essas famílias locais, portanto, devem se submeter ao seu papel de fornecedor da segurança delas sem poder procurar outro. Você, afinal, é claramente o melhor fornecedor de segurança da cidade e tem cuidado de todos já há bastante tempo.

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Parte VI: A grande revelação

Talvez você já tenha percebido aonde isso tudo está indo. Ninguém confundiria este cenário agora totalmente desenvolvido com qualquer coisa parecida com uma sociedade “livre”. Basta observar abaixo esta lista do que aconteceu:

  • Um governo assumiu o poder sobre uma área e tomou o controle da oferta de moeda (a circulação dos títulos da sua dívida);
  • O governo, em seguida, debilita o dinheiro ao não cumprir sua promessa de resgatar os títulos em prata física;
  • Todas as transações econômicas, ainda assim, devem ser feitas usando os títulos do governo agora sem lastro;
  • Usar ouro e prata nas transações econômicas tornou-se, consequentemente, ilegal;
  • Cobranças obrigatórios são impostas, pagas apenas em títulos do governo;
  • Ninguém está autorizado legalmente a escolher outra opção fora deste arranjo.

Como você pode ver, esta lista descreve exatamente a situação monetária dos Estados Unidos atualmente.

A América foi uma vez um lugar onde as pessoas transacionavam livremente umas com as outras. Elas transacionavam em ouro e prata e até mesmo em títulos lastreados em ouro e prata. Esses títulos eram resgatados – em metais físicos reais – e as dívidas eram totalmente extintas como resultado. Assim foi que a economia progrediu e a prosperidade se espalhou.

Em determinado momento, o governo começou a se intrometer mais e mais na vida econômica das pessoas. Ele assumiu o monopólio sobre as opções econômicas das pessoas e exigiu o controle sobre o dinheiro da sociedade. No início, o governo emitia certificados ou notas (ou seja, títulos) que eram trocados à vontade por ouro e prata físicos. Eles chegaram a circular em toda a sociedade, bem como os títulos da nossa história acima, e eram considerados tão confiáveis quanto o ouro. Eles eram resgatados por metal; as dívidas podiam ser totalmente extintas.

Este é um exemplo de uma nota lastreada em prata:

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Estava até mesmo escrito nessas notas que elas eram resgatáveis por prata: “One dollar in silver payable to the bearer on demand”.

Mas a certo ponto o governo deixou de honrar a sua promessa de resgatá-las em ouro e prata reais. A partir de então, o dólar norte-americano (o título certificado do governo) se limita à inscrição “Federal Reserve Note” (“Nota do Federal Reserve”, o banco central americano) e que vale “One Dollar“. Mas o que é um dólar se ele não for resgatável em ouro ou prata? Na verdade, essa é a grande pergunta.

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Abaixo estão duas notas de 20 dólares, uma remonta a uma época em que eles eram resgatáveis em ouro (1928) e a outra é atual. A primeira é uma promessa de pagar ao portador em dinheiro real que extinguirá uma dívida. A outra é uma fraude deslavada – uma tentativa de conferir legitimidade de dinheiro real a uma falsa promessa. É um esforço deliberado de enganar os cidadãos. A nota de 20 dólares hoje é resgatável em ouro e prata tanto quanto o dinheiro do Banco Imobiliário o é, ou uma embalagem de chiclete.

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20 bucks

Claramente, em algum momento o governo dos EUA se sobrecarregou e decidiu renegar a sua promessa de resgatar essas notas em ouro e prata reais. Ele rompeu a promessa feita a milhões de pessoas e se tornou inadimplente.

Não só isso, ele foi audacioso o suficiente para dar um passo adiante. Apesar do fato de que essas notas eram agora irresgatáveis, ele as fez a única moeda legal que poderia ser usada em transações. E ainda tornou ilegal possuir moedas de ouro e de prata por um tempo, e ainda hoje elas continuam fortemente tributadas caso você aufira quaisquer ganhos de capital com elas. Para qualquer negócio, todas as dívidas agora tinham que ser pagas em dólares americanos. E não apenas isso; todas seriam obrigatoriamente tributadas, e os impostos deveriam ser pagos em dólares também.

Assim como na história que contamos, o governo americano faltou em sua promessa de resgatar seus títulos em dinheiro real, obrigou todos a usar o seu dinheiro falso e irresgatável e tornou ilegal o uso de qualquer outro dinheiro como uma alternativa.

Welcome to the land of the free!

 

 Conclusão

Essa longa história, em última análise, começa de forma simples e inocente com um pacote de açúcar. Mas conclui descrevendo exatamente o que está acontecendo com o sistema monetário dos Estados Unidos hoje – e na verdade qualquer outro sistema monetário do mundo, os quais são todos derivados do dólar americano.

Os dólares que chamamos de dinheiro hoje… na verdade não são dinheiro. Dinheiro real, afinal de contas, deveria extinguir totalmente uma dívida. Mas dólares não conseguem fazer isso. Eles não são nada além de títulos de dívida, somente pagáveis em mais dólares – mais títulos de dívida. E mesmo que você tente vender os produtos da sua empresa em dinheiro real a sua empresa estaria em conflito com a lei do governo.

Em outras palavras, você não pode escapar. Você está preso num labirinto. Você simplesmente tem que usar dólares se quiser participar legitimamente da economia.

Como resultado, o endividamento total tem sempre que ser crescente à medida que mais e mais dólares (que não conseguem extinguir qualquer dívida) são criados, sempre por meio de empréstimos. Como apontou o economista Keith Weiner, esse não é um bug no sistema, é uma característica dele!

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É por isso que o balanço do Federal Reserve está subindo rapidamente – juntamente com a dívida nacional. Não é apenas porque os políticos não conseguem se controlar (embora eles não consigam), mas porque é simplesmente a maneira como esse sistema monetário é projetado.

Lembre-se que, quando o calote finalmente chegar, devido às pessoas começarem a se recusar a aceitar títulos como pagamento, alguém arcará com as consequências. Perdas financeiras catastróficas terão lugar. Atualmente esses “alguéns” são todos aqueles que possuem dólares – ou qualquer outra moeda fiduciária, neste caso.

Em conclusão, a minha esperança é que esta longa mas simples história tenha servido para lançar luz sobre algumas das principais afirmações dos defensores do ouro e também ajudado a explicar por que esse sistema monetário baseado em moeda fiduciária está condenado. Claramente, se nosso sistema econômico quiser ter alguma esperança, é crucial que o ouro se torne parte integrante dele mais uma vez. Precisamos espalhar a palavra – e fazê-lo rápido.

 

Publicado originalmente em Schiffgold.com
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3 comentários

  1. Achei 3 problemas com o artigo:
    – Ouro é tão dinheiro quanto um título. É apenas uma representação de valor, não o valor em si.
    – Acreditar que a dívida foi feita pra ser quitada. Ela não foi. Hoje, o lastro é a promessa de pagamento (financiamento), não o ouro escavado.
    – O modelo de cédula de dinheiro é francês, não norte-americano. O modelo americano é a dívida como lastro.

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    • Prezado, Luciano. Obrigado pelo seu comentário.

      Sobre as tuas observações, respondo abaixo:

      O ouro é bem diferente de um título. Ele é utilizado como dinheiro há quase 6000 anos, e isso só aconteceu porque as pessoas de todas as épocas viram algo de valor no ouro. O ouro é belo e raro; isso fez com que ele atravessasse os séculos como um símbolo universal de distinção ou como um objeto de ornamentação. Somadas a isso, as outras características do ouro o tornaram dinheiro. Ele é: portátil, fungível, durável e divisível em unidades menores.

      Quanto a dívidas, elas foram feitas para serem pagas. Quando tu emprestas dinheiro, tu o fazes para recebê-lo de volta. A situação atual – onde o “lastro” são títulos de dívida – é irreal e, mais do que isso, insustentável, porque em algum momento o endividamento se torna impagável. É verdade que o sistema monetário atual trabalha como se esse dia nunca fosse chegar. Mas não confunde uma ilusão com um sistema sustentável.

      Quanto à cédula, o artigo faz uma retrospectiva para comparar a cédula antiga (um certificado que poderia ser trocado por ouro e prata) com a atual, que perdeu o lastro. Apenas isso.

      Um abraço!

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