O incrível caso da prata: a oportunidade da década?

Por Marcelo Armani Lopes

Você já deve ter ouvido falar de investimentos que mudaram a vida de algumas pessoas em um curto espaço de tempo. Ideias que ninguém considerava e que se provaram brilhantes, ativos ignorados que aparentemente de uma hora para outra dispararam e criaram novos ricos. Pois bem, como isso é possível? De que forma alguns anteveem aquilo que a maioria só fica sabendo quando vira notícia e já é tarde demais para agir?

Embora alguns casos se expliquem pela pura genialidade de um inventor, ou por um tino para negócios fora do comum de um empreendedor, há situações igualmente afortunadas em que não é preciso ser excepcional para se sair bem; situações onde boas informações e uma atenção interessada bastariam para transformar fatos comuns em oportunidades excepcionais.

Este artigo é dedicado ao especialíssimo caso da prata. Eu espero que você considere com atenção as informações aqui reunidas. Se estiverem corretas, e se você percorrer o caminho entre a teoria e a ação, elas podem ter um impacto surpreendente na sua vida financeira nos próximos anos.

Investing-in-silver

Cenários como este, nos quais é possível ver com semelhante nível de clareza o quão severamente subprecificado está um determinado ativo são raros no mundo dos investimentos. São muitos os fatores que confluem para tornar o investimento em prata uma oportunidade única neste momento. Eles serão analisados no decorrer do artigo.

Para a compreensão do primeiro desses fatores, contudo, é fundamental uma perspectiva histórica. Mais especificamente, de história monetária.

 

História monetária

Nenhuma moeda fiduciária sobreviveu mais do que 50 anos nos mais de 5000 anos em que os seres humanos têm utilizado moedas.¹

No seu livro sobre investimento em metais preciosos, “Guia para Investir em Ouro e Prata”, Michel Maloney explica que existe um padrão que se repete ao longo da história há pelos menos 2.400 anos. Nele, os governos expandem a oferta monetária e, consequentemente, diluem o poder de compra de suas moedas até um ponto em que a psique da população e o senso coletivo do país começam a sentir que algo não está indo bem. Como a desvalorização progride, a população sente a perda do poder de compra da moeda. Nesse momento, uma grande mudança acontece. A livre e espontânea vontade do público estabelece um novo patamar para o preço do ouro e da prata. Ao fazer isso, os metais se valorizam de maneira a compensar toda a criação de moeda ocorrida desde a última revalorização.

É automático, e é natural; o ouro e a prata sempre fizeram isso, e sempre farão. As pessoas têm um senso inato da raridade do ouro e da prata. Quando o papel-moeda torna-se demasiado abundante, e, assim, perde valor, as pessoas sempre se voltam para os metais preciosos. Quando as massas retornam correndo, o valor (poder de compra) do ouro e da prata cresce exponencialmente. (Michel Maloney, 2008)

Ele completa:

Durante esses eventos há sempre uma enorme transferência de riqueza, e está dentro do seu poder de escolha se ela será transferida para você, ou para longe de você. Se você optar por tê-la transferida para você, então você deve primeiro educar-se, e em segundo lugar, agir. É um percentual de falha de 100%. Nenhuma moeda fiduciária jamais sobreviveu, e agora todas elas são fiduciárias. Então, essa mudança será a mais dramático da história monetária mundial. Vai ser a maior transferência de riqueza da história mundial. Portanto, é a maior oportunidade da história.

Para ilustrar o que está sendo dito, observe a figura abaixo que mostra a expansão da base monetária pelo Federal Reserve (FED), o banco central americano. Tenha em mente que desde o fim do Acordo de Bretton Woods (1971), quando o dólar americano perdeu a convertibilidade com o ouro, o mundo usa a moeda americana como reserva de valor, uma espécie de lastro para as demais moedas. Repare na “discreta” resposta inflacionária do Federal Reserve para a crise de 2008:

Money Supply FED

Essa política keynesiana² foi seguida por outros grandes bancos centrais, como o Banco Central Europeu (ECB) e o Banco do Japão (BOJ). Não funcionou. Não há recuperação na economia americana³, tampouco nas outras que adotaram políticas semelhantes. Para piorar, a dívida do governo americano mais do que dobrou desde a crise de 2008 – de U$S 9 trilhões para U$S 19 trilhões em 2016.

Esse é o maior ciclo de expansão monetária e endividamento que o mundo já viu. Ele está sendo promovido pelos bancos centrais em conluio com seus respectivos governos e tem como objetivo suprimir as taxas de juros a fim de salvar governos e instituições financeiras que de outro modo já teriam falido. Em escala global, é um experimento único na história mundial.

Não por acaso, alguns países já pensam num mundo pós-dólar, e seus bancos centrais se livram da moeda americana em ritmo recorde. China e Rússia lideram esse movimento, e a alternativa escolhida ao dólar é… adivinhe: o ouro.

dívida americana

 

O preço atual e a lógica do investimento

A prata é o investimento mais importante que você vai fazer nesta década; o ativo mais subvalorizado disponível para os investidores hoje em dia. (Gregory Mannarino, 2016)

Em 2016, o preço da onça de prata rompeu uma resistência importante, e ela passou a ser negociada acima de U$S 16 no mercado internacional (chegando a bater perto dos U$S 18). Esse rompimento indicou uma tendência de reversão na queda do preço iniciada em 2011. Mais importante: foi também uma amostra de desconfiança do mercado em relação à capacidade de o FED cumprir a sua promessa de subir gradualmente os juros em 2016.

O aumento dos juros depende da percepção de melhora nos indicadores da economia americana. A cada vez que os dados econômicos vêm abaixo do esperado – e é assim que eles têm se comportado ultimamente -, o mercado aposta que o FED retardará o prometido aumento. Como aumentar os juros significa uma contração da oferta monetária, o preço dos metais cai na promessa, mas sobe com o fato; isto é, o não aumento. É interessante notar que o preço do ouro e da prata têm subido em 2016, mesmo mediante a expectativa de que cedo ou tarde os juros subirão. Imagine o quão maior será a subida quando a expectativa for a contrária!

É preciso compreender que o fator subjacente, que potencializa o investimento em ouro e prata, é a convicção de que a economia americana, como comparou Peter Schiff, “respira por aparelhos”, onde o oxigênio é a contínua criação de dinheiro pelo FED. Não houve solução para os problemas da crise de 2008, apenas uma radical expansão monetária. Graças a isso, muitas instituições financeiras e o próprio governo americano se mantiveram artificialmente solventes até aqui.

Infelizmente para o cidadão comum, quando essa farra de juros baixos e inflação monetária terminar, será na forma de uma severa crise econômica, muito maior que a anterior. Isso porque, embora atualmente o governo norte-americano pague um percentual irrisório de juros para se financiar, ele seria insolvente num cenário com juros historicamente normais. A certo ponto, os EUA terão que escolher entre um calote formal ou um inflacionário que destruiria o poder de compra do dólar e geraria uma inflação de preços descontrolada.

Felizmente para o investidor que se proteger a tempo, é nesse momento que os agentes econômicos buscam desesperadamente um porto-seguro: é quando o ouro e a prata brilham.

Para se ter uma ideia, a corrida pelos metais preciosos do final da década de 70 multiplicou o valor do ouro em 8 vezes e meia em comparação ao preço no início daquela década, e o da prata em impressionantes 15 vezes.

Estamos entrando em um período de crise financeira que é a maior que o mundo já conheceu. A transferência de riqueza que terá lugar durante esta década é a maior transferência de riqueza na história. A riqueza nunca é destruída. É meramente transferida. E isso significa que no lado oposto de cada crise, há uma oportunidade. (Michael Maloney, 2008)

 

Mas por que ter mais prata do que ouro?

A explicação está na atual razão entre os preços do ouro e da prata quando comparadas com a razão histórica.

Historicamente, a razão foi de cerca de 16: 1, refletindo a oferta média de cada metal. Desde a crise financeira, entretanto, essa relação tem sido muito mais alta. Hoje, está acima de 70:1. Isso indica que a prata está extremamente desvalorizada em relação ao ouro. Veja:

Ratio

De acordo com a relação histórica entre os dois metais preciosos, o preço da prata tem mais caminho a percorrer do que o do ouro.

 

Escassez

75% da prata é um subproduto da extração do ouro, do cobre e do zinco. Devido à crise mundial, a queda no preço do zinco e do cobre faz as empresas de mineração fecharem, o que, por sua vez, reduz a oferta de prata.

O gráfico abaixo, referente à mineração de prata entre 2014 e 2015 nos EUA, mostra a produção caindo em um momento em que a demanda por prata está explodindo.

production silver

Segundo dados de 2016, até aqui a produção de prata também está caindo, no comparativo anual.

Nestes outros dois gráficos, que compreendem um período de 5 anos, vê-se a queda ocorrida, de 2015 para 2016, no preço do cobre e do zinco:

Zinco e Cobre

Embora desde meados janeiro de 2016 para cá o preço do zinco tenha subido 25%, não há razão para otimismo, como explicado pela Reuters (2016):

O aumento se deve à ação de especuladores acumulando o metal na esperança de que mais cortes de produção levariam à escassez. Eles também foram impulsionados pela expectativa de mais medidas de estímulo econômico por parte da China.

Isso quer dizer que, devido à crise, a oferta de prata ao longo dos próximos 2 a 3 anos pode cair drasticamente.

O problema fica evidente quando contraposto com a demanda anual por prata. A relação entre a oferta física e a demanda foi deficitária em 2015, pelo terceiro ano consecutivo. Olhando esses números mais de perto, vê-se que a demanda foi de 1 bilhão de onças e a oferta de 819 milhões de onças, e que coube à prata reciclada completar essa diferença.

Confira o déficit, ano a ano:

Deficit Prata

Reciclada

Mas há um detalhe: a disponibilidade de prata reciclada também vem caindo, por 3 anos consecutivos, desde 2011 (258 milhões de onças) e a projeção é de que fique estável em cerca de 170 milhões de onças nos próximos anos.

 

Quando a oferta de qualquer bem diminui, os preços tendem a subir, vale lembrar, e isso é exatamente o que está acontecendo.

Neste outro gráfico, observa-se a evolução da demanda por moedas e barras, por país:

demanda prata

Trata-se de uma demanda crescente por um bem que é cada vez mais utilizado no nosso dia a dia. Como você pode verificar no gráfico abaixo, nós somos dependentes de prata:

Usos industriais da prata

 

Conclusão

O segredo do investimento em ouro e prata é saber quando possuí-los e quando usá-los para comprar ações ou outros ativos. Para fazer isso você precisa entender onde no ciclo você está e como fundamentos futuros podem alterá-lo. (Peter Schiff, “The Real Crash”, 2012)

Ainda que você seja um defensor da volta do padrão ouro (como é o caso deste blog), na verdade, não é necessário um especial apreço pelos metais em si para enxergar essa oportunidade de investimento. Como em qualquer investimento, a oportunidade se faz através de ciclos: o sucesso depende de saber identificar a hora de comprar e a hora de vender, apenas. No caso da prata, as informações resumidas neste artigo indicam que estamos no início de um novo bull market.

Se você parar para acompanhar o noticiário econômico, sua intuição lhe dirá que, estruturalmente, há algo errado com a economia mundial. A conjuntura atual é um vale de sombras: estagnação econômica, endividamentos recordes, controle de capitais, políticas inflacionárias e – a última anomalia criada pelos bancos centrais – taxas de juros negativas. Um cenário de fuga das moedas fiduciárias se desenha claramente no horizonte. Nesse contexto, muito além de proteção financeira, a prata, no preço atual, se torna uma excelente oportunidade de investimento.

Se você achou essas informações úteis, curta e compartilhe este artigo com seus amigos; dê a eles novos elementos para análise, – elementos que dificilmente lhes serão oferecidos no mercado, até que seja tarde demais.

 

¹http://www.silver-coin-investor.com/gold-silver-ratio.html

²Para um melhor entendimento da insensatez da teoria keynesiana, ver “As loucuras e falácias da economia keynesiana

³Why the US economy has not recovered in 10 charts

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2 comentários

  1. Interessante a disparidade para o ouro.
    Eu tenho uma curiosidade. Esse futuro “crash” que vêm sendo gestado pelos bancos centrais, ao que tudo indica será o total colapso do mercado financeiro e das moedas nacionais. Em uma situação assim, ainda que eu possua uma grande reserva de metais que vão se valorizar, e que eu venda essa reserva com lucros astronômicos, o que farei com esse “dinheiro” pelo qual troquei minha prata, que ao que tudo indica estará derretendo no mundo todo? Ou ainda, por quais ativos, papéis, commodities, eu poderei negociar meus metais? Em que forma de lucro o autor está pensando exatamente? Imóveis talvez?
    Grato.

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    • Quando se fala em “colapso” de moedas fiduciárias, isso não necessariamente significa que elas serão extintas, mas que passarão a ser lastreadas, parcial ou inteiramente. O lastro pode ser o ouro ou uma cesta de moedas combinadas a uma ou mais commodities, inclusive o ouro.

      Por exemplo, é possível que americanos continuem utilizando a moeda chamada “dólar”, mas ela terá sido severamente desvalorizada em relação ao ouro e à prata. Ou seja, não necessariamente – ainda mais na era digital – você terá que levar moedas de ouro e prata no bolso quando for ao shopping center.

      Quanto à forma de lucro: A partir do momento que os metais estiverem valorizados, você poderá convertê-los em qualquer outro ativo (imóveis, empresas, ações, empréstimos, etc), diretamente ou antes convertendo-os na moeda que estiver em circulação naquele momento.

      Um abraço!

      Curtir

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