As loucuras e falácias da economia keynesiana

Por Richard Ebeling

Oitenta anos atrás, em 4 de Fevereiro de 1936, um dos livros mais influentes dos últimos cem anos foi publicado, “A Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda”, do economista britânico John Maynard Keynes. Com ele nasceu o que se tornou conhecido como a economia keynesiana.

Dentro de menos de uma década após o seu aparecimento, as ideias da Teoria Geral praticamente conquistaram a profissão de economista e se tornaram um guia para a política econômica dos governos. Poucos livros, em tão pouco tempo, ganharam uma influência semelhante e geraram um impacto tão destrutivo sobre as políticas públicas. O que Keynes conseguiu foi prover uma base racional para o que os governos sempre gostaram de fazer: gastar o dinheiro de terceiros e atender a interesses particulares.

Nesse processo, Keynes ajudou a minar três ingredientes institucionais essenciais de uma economia de livre mercado: o padrão-ouro, os orçamentos governamentais equilibrados e mercados competitivos abertos. No lugar deles, o legado de Keynes nos deu inflação de papel-moeda, déficit governamental e intervenção política crescente em todo o mercado.

Seria, é claro, um exagero afirmar que sem Keynes e a inflação de sua revolução keynesiana, gastos deficitários e intervencionismo não teriam ocorrido. Durante décadas antes do surgimento de seu livro, o clima político e ideológico foi sendo mudado em direção a um envolvimento do governo cada vez maior nos assuntos econômicos e sociais, devido à crescente influência de ideias coletivistas entre intelectuais e formuladores de políticas na Europa e nos Estados Unidos.

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Antes de Keynes: Políticas sensatas de livre mercado

No entanto, antes da publicação da Teoria Geral, muitos dos defensores de tais políticas coletivistas tiveram que contornar o corpo principal do pensamento econômico que ainda argumentava que, em geral, o melhor caminho era manter as mãos do governo longe do mercado, preservar uma moeda estável lastreada por ouro, e restringir suas políticas fiscais e de gastos.

Os economistas de livre mercado dos séculos XVIII e XIX haviam demonstrado convincentemente que a intervenção do governo impedia o bom funcionamento do mercado. Eles foram capazes de mostrar claramente que os governos não têm nem o conhecimento nem a capacidade de dirigir os assuntos econômicos. Liberdade e prosperidade são melhor asseguradas quando o governo se limita a proteger a vida e a propriedade das pessoas, deixando as forças da oferta e da demanda produzir os incentivos necessários e a coordenação das atividades dos indivíduos.

 

Lições aprendidas: Ouro como dinheiro e orçamentos equilibrados

Durante as guerras napoleônicas do início do século XIX, muitos países europeus experimentaram inflações graves quando seus governos recorreram à impressão de dinheiro para financiar suas guerras. A lição que os economistas pró-mercado aprenderam foi a de que a mão do governo tinha que ser removida do manuseio da impressora caso se desejasse estabilidade monetária. A melhor maneira de fazer isso era lastrar a moeda de um país a uma commodity como o ouro, obrigar os bancos, quando demandados, a resgatar as suas notas por ouro a uma taxa de câmbio fixa, e limitar quaisquer aumentos na quantidade de notas bancárias em circulação a novos depósitos de ouro nos bancos.

Eles também concluíram que gastos deficitários eram um meio perigoso de financiamento de programas governamentais. Esses gastos permitiram que os governos criassem a ilusão de que eles poderiam gastar sem impor um custo à sociedade sob a forma de impostos mais elevados; poderiam tomar emprestado e gastar hoje, e adiar o custo fiscal até algum amanhã onde os empréstimos teriam que ser devolvidos.

Esses economistas também defenderam orçamentos anuais equilibrados, permitindo ao eleitorado ver mais claramente o custo dos gastos do governo. Se uma emergência nacional, como uma guerra, forçasse o governo a contrair empréstimos, em seguida, logo que a crise passasse, o governo deveria ter superávits no orçamento para pagar a dívida.

 

O pensamento de Keynes sobre mercados, salários e governo

Essas foram consideradas as políticas testadas e seguras para uma sociedade saudável. E essas foram as políticas que Keynes fez o seu melhor para tentar derrubar nas páginas do seu livro. Ele argumentou que uma economia de mercado era inerentemente instável, aberta a oscilações otimistas e pessimistas de investidores irracionais, o que resultava em amplas e imprevisíveis flutuações na produção, no emprego e nos preços.

Apenas o governo, ele acreditava, poderia considerar a visão de longo prazo e racionalmente manter a economia em equilíbrio, incorrendo em déficits para estimular a economia durante depressões e superávits para segurá-la em períodos de expansão inflacionária. Ele, portanto, atacou a noção de orçamentos anuais equilibrados; em vez disso, o governo deveria equilibrar o seu orçamento ao longo do “ciclo econômico”; isto é, déficits durante recessões e excedentes durante os anos de pleno emprego e crescimento econômico.

Mas para fazer esse trabalho Keynes disse que a “relíquia bárbara” do padrão-ouro não deveria entravar os governos. Políticos sábios, guiados por brilhantes economistas como ele, tinham que ter a flexibilidade para expandir a oferta monetária, manipular as taxas de juros e alterar as taxas de câmbio pelas quais as moedas são negociadas umas com as outras. Eles precisavam desse poder para gerar a quantidade de gastos que julgassem necessária ao objetivo de colocar as pessoas para trabalhar em projetos de obras públicas e investimentos privados estimulados pelo governo. Limitar aumentos na oferta monetária à quantidade de ouro seria um obstáculo, Keynes insistiu.

Keynes não só acreditava que a economia de mercado não poderia se manter em equilíbrio, como também que não era desejável permitir que o mercado funcionasse. Ele disse uma vez que deixar o mercado determinar preços e salários para equilibrar a oferta e a demanda era submeter a sociedade a um cruel e injusto “rolo compressor econômico”. Em vez disso, ele queria que salários e preços fossem fixados politicamente com base “no que é ‘justo’ e ‘razoável’ entre as classes sociais.”

Durante os anos de desemprego em massa da Grande Depressão de 29, ele argumentou que os níveis dos salários impostos pelos sindicatos deveriam ser vistos como sacrossantos, mesmo que muitos trabalhadores fossem jogados para fora do mercado devido a esses salários estarem acima daquilo que os potenciais empregadores pensavam que esses trabalhadores valiam. O governo, em vez disso, deveria imprimir dinheiro, incorrer em déficits e elevar os preços a qualquer nível necessário que tornasse novamente rentável para os empregadores contratar trabalhadores. Em outras palavras, a inflação de preços perpétua era para ser o meio de garantir “pleno emprego” frente a sindicatos agressivos exigindo salários excessivos.

 

A alternativa austríaca à economia keynesiana

O que Keynes desconsiderou completamente e, de fato, rejeitou foi a interpretação “austríaca” alternativa sobre as causas e curas da Grande Depressão, tal como formulado por Ludwig von Mises, Friedrich A. Hayek e outros. Para os economistas austríacos, a expansão da oferta monetária e a manipulação da taxa de juros colocaram em movimento graves desequilíbrios entre poupança e investimento que resultaram em maus investimentos de capital e desorientação de recursos e mão de obra.

A nova “macroeconomia” de Keynes, focada principalmente em médias estatísticas e agregados para toda a economia – como “demanda agregada”, “oferta agregada”, a produção e o emprego “como um todo” –, obnubila a visão de todas as verdadeiras relações microeconômicas e interligações entre inumeráveis ofertas e demandas individuais que estavam sendo descoordenadas e desequilibradas devido às políticas monetárias dos bancos centrais.

Quando a crise financeira e econômica de 1929-1930 começou a tomar uma proporção cada vez maior, com queda na produção e aumento do desemprego, os austríacos enfatizaram que um reequilíbrio ao longo da economia necessitava de ajustes de preços e salários e do trabalho, capital e realocação de recursos para restaurar a coordenação entre essas ofertas e demandas interligadas.

Entretanto, esta foi a explicação e a solução para a Grande Depressão que John Maynard Keynes rejeitou e recusou-se a entender.

 

Gastos deficitários e política de juros

Além disso, quando a regra do orçamento equilibrado foi derrubada deixou de haver qualquer controle sobre os gastos do governo. Como os economistas James M. Buchanan e Richard E. Wagner apontaram em “Democracia em Déficit” (1977), uma vez que o governo está livre do freio de ter que tributar direta e imediatamente para pagar por tudo aquilo que gasta, todos os grupos de interesses concebíveis podem recorrer aos políticos para alimentar os seus desejos. Os políticos, desejando votos e contribuições de campanha, alegremente se oferecem para satisfazer a gula dos grupos favorecidos. Ao mesmo tempo, os cidadãos facilmente caem na ilusão de que o governo pode atender a todos com pouco ou nenhum custo para eles.

De fato, os políticos podem agora jogar o jogo de destinar mais e mais dinheiro para interesses populistas, até mesmo enquanto reduzem impostos. O governo simplesmente preenche a lacuna por meio de empréstimos, impondo o peso de uma dívida maior para as gerações futuras. Ou impostos subirão nos anos seguintes, ou o governo vai recorrer à impressora para pagar o que deve, e ao mesmo tempo afirmar que está agindo para gerar “prosperidade nacional” e financiar programas “socialmente necessários” do estado de bem-estar social.

E não há necessidade de se preocupar com tudo isso no presente, Keynes nos garantiu, afinal de contas “no longo prazo estaremos todos mortos”. O nosso problema, é claro, é que nós estamos cada vez mais vivendo as consequências de longo prazo das políticas de curto prazo de Keynes.

 

Duradoura sabedoria dos economistas de livre mercado

A ciência econômica de livre mercado que precedeu Keynes havia sido fundada a partir de dois insights sobre o homem e a sociedade.

Em primeiro lugar, há uma qualidade invariável à natureza do homem que faz dele o que ele é; e se a sociedade deve ser harmoniosa, pacífica e próspera, os homens devem modificar suas instituições sociais de uma forma que elas direcionem os inevitáveis interesses individuais para linhas de ação que beneficiem não só a eles mesmos, mas também a outros na sociedade.

Eles, portanto, defendiam as instituições da propriedade privada, da troca voluntária e da competição aberta e pacífica. Então, como Adam Smith expressou concisamente, os homens viveriam em um sistema de liberdade natural no qual cada indivíduo seria livre para perseguir seus próprios fins, mas seria orientado como que por uma mão invisível a servir aos interesses dos outros na sociedade como um meio para o seu próprio progresso.

Segundo, é insuficiente, em qualquer juízo sobre a conveniência de uma política social ou econômica, se concentrar apenas sobre os seus benefícios aparentes de curto prazo. As leis do mercado sempre trazem consequências a longo prazo de qualquer mudança na oferta e na demanda ou de qualquer intervenção do governo na ordem do mercado. Assim, como o economista francês Frederic Bastiat enfatizou, cabe-nos sempre tentar determinar não apenas “o que se vê” a partir de uma política do governo no curto prazo, mas também discernir, tanto quanto podemos, “o que não é visto”, isto é, as consequências de longo prazo de nossas ações e políticas.

A razão por que é desejável considerar as consequências menos imediatas é que os efeitos de longo prazo dessas políticas não apenas não resolvem o problema como podem fazer a situação social ainda pior. Mesmo que os detalhes específicos do futuro permaneçam sempre além da nossa capacidade de previsão, a utilidade da economia é ajudar a pelo menos antecipar as formas e contornos prováveis desse futuro, através da compreensão das leis econômicas.

As suposições de Keynes rejeitam a sabedoria e os conhecimentos dos economistas de livre mercado. Sua ênfase tendenciosa está nos benefícios e prazeres momentâneos, de curto prazo, com uma indiferença quase total em relação às consequências futuras.

A ciência econômica focada no curto prazo de Keynes levou o economista austríaco, F. A. Hayek, a lamentar em 1941:

Eu não posso deixar de considerar a crescente concentração nos efeitos de curto prazo… não só como um erro intelectual sério e perigoso, mas como uma traição do dever principal do economista e uma grave ameaça para a nossa civilização… Costumava-se, todavia, considerar como o dever e o privilégio do economista o estudo dos efeitos de longo prazo, que são inclinados a permanecer escondidos de olhos destreinados, e deixar a preocupação com os efeitos mais imediatos para o homem prático, que em qualquer caso veria apenas isso e nada mais.

Não é surpreendente que o Sr. Keynes encontre seus pontos de vista antecipados por escritores mercantilistas e amadores talentosos; a preocupação com os fenómenos mais superficiais sempre caracterizou o primeiro estágio da abordagem científica à nossa ciência… Temo que esses seguidores do princípio de “après nous le deluge” (“depois de nós, o dilúvio”) consigam o que têm desejado mais cedo do que gostariam.

 

A ideologia do niilismo ético de Keynes

Com qual base moral ou filosófica, é razoável perguntar, Keynes acredita que defensores de políticas, tais como ele mesmo, tinham o direito ou a capacidade de gerir ou conduzir as interações econômicas de multidões de pessoas no mercado? Keynes explicou seus próprios fundamentos morais em dois livros de memórias, publicados postumamente em 1949, três anos após a sua morte. Um livro de memórias, escrito em 1938, examinou a formação de suas “crenças iniciais” como um jovem em seus vinte e poucos anos na Universidade de Cambridge, na primeira década do século XX.

Ele e muitos outros jovens intelectuais em Cambridge haviam sido influenciados pelos escritos do filósofo G. E. Moore. Ao ler o trabalho de Moore, Keynes disse:

Na verdade, em nossa opinião, uma das maiores vantagens de sua religião (a de Moore) era que ela tornava a moral desnecessária. . . Nada importava exceto estados de espírito, os nossos próprios e os de outras pessoas, é claro, mas principalmente os nossos. Esses estados de espírito não eram associados com ações, realizações ou consequências. Eles consistiam em estados de contemplação e comunhão atemporais, apaixonados, em grande medida desapegados de uma noção de ‘antes’ e ‘depois’.

Neste cenário, códigos morais ou de ética tradicionais e estabelecidos não significavam nada. Disse Keynes:

Nós repudiamos totalmente uma responsabilidade pessoal de obedecer a regras gerais. Reivindicamos o direito de julgar cada caso por seus próprios méritos. Essa era uma parte muito importante da nossa fé, violenta e agressivamente sustentada… Nós repudiávamos costumes habituais inteiramente, convenções e sabedorias tradicionais… Não reconhecíamos nenhuma obrigação moral sobre nós, nenhuma sanção interna a qual se conformar ou obedecer. Pretendíamos ser o nosso próprio juiz em nosso próprio caso.

Keynes declarou que ele e aqueles como ele foram “abandonados, de agora em diante, às suas próprias sensibilidades, motivos puros e intuições confiáveis do bem.”

Então, aos 55 anos, Keynes declarou em 1938, “É tarde demais para mudar. Eu continuo, e sempre continuarei a ser, um amoralista. “Quanto à ordem social na qual ele ainda afirmava ter o direito de agir de forma desenfreada, Keynes disse que “a civilização era uma crosta fina e precária erigida pela personalidade e a vontade de muito poucos, e somente mantida através de regras e convenções habilmente estabelecidas e preservadas “.

Assim, as decisões relativas aos assuntos da sociedade deveriam ser feitas com base nos “estados de espírito” autocentrados dos formuladores de políticas, com total desprezo das tradições, costumes, códigos morais, regras ou das leis de longo prazo do mercado. Sua correção ou incorreção não estava vinculada a qualquer padrão independente de “realização e consequência.” As próprias “intuições do bem” dos tomadores de decisões, para si e para os outros, deveriam servir como sua bússola.

Aqui tínhamos uma ideologia elitista do niilismo. Os membros dessa elite eram autonomeados e mostravam pertencer aos “eleitos” precisamente através de congratulações mútuas por haverem se libertado da camisa de força da conformidade, do costume e da lei.

Para Keynes em seus cinquenta e poucos anos, a civilização era essa crosta fina e precária sobrepondo os espíritos animais e a irracionalidade dos homens comuns. Sua existência era o produto da “personalidade e a vontade de uns poucos” – como ele próprio, naturalmente – e mantida através de “regras e convenções habilmente estabelecidas e astutamente preservadas.”

O perfil e a mudança de forma da sociedade deveriam ser deixados a cargo dos poucos “escolhidos”, que permaneciam acima das convenções passivas das massas. Aqui estava a arrogância da engenharia social.

A arrogância e a autoconfiança de Keynes em sua capacidade de dirigir e manipular a opinião pública e as políticas públicas foram expressas pouco antes de sua morte em 1946. Friedrich Hayek uma vez recordou uma conversa que teve com Keynes logo após a Segunda Guerra Mundial.

Hayek perguntou a Keynes se ele não estava preocupado que alguns de seus próprios discípulos intelectuais estavam levando suas ideias a direções perigosas e indesejáveis.

Depois de uma observação não muito elogiosa a respeito dessas pessoas, ele começou a me tranquilizar: essas ideias foram um mal necessário no momento em que as tinha lançado. Mas eu não precisava ficar alarmado; se elas se tornassem perigosas eu poderia confiar que ele mais uma vez mudaria rapidamente a opinião pública – indicando por um movimento rápido de sua mão a rapidez com que isso seria feito. Mas três meses depois, ele estava morto.

 

Os políticos ouvem a voz defunta de Keynes no ar

Em uma das passagens mais famosas de Teoria Geral, Keynes disse:

As ideias de economistas e filósofos políticos, tanto quando elas estão certas e quando estão erradas, são mais poderosas do que é comumente entendido. Na verdade, o mundo é governado por pouca coisa além disso. Homens práticos, que acreditam estar isentos de qualquer influência intelectual, geralmente são escravos de algum economista defunto. Malucos em posição de autoridade destilam sua loucura de algum escrito acadêmico de alguns anos atrás.

Oitenta anos depois da publicação da Teoria Geral, muitos homens práticos de negócios e políticos em posição de autoridade continuam a ser os escravos de economistas defuntos e escritores acadêmicos. A tragédia, para os nossos tempos, é que entre as vozes que eles ainda ouvem no ar, enquanto corruptamente bagunçam tudo o que tocam, está a de John Maynard Keynes.

Originalmente publicado em zerohedge.com
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