A revolução além-bitcoin

Por Blythe Masters

Distributed Ledger

Em 2015 a tecnologia blockchain evoluiu de um assunto pouco familiar para o mainstream do noticiário financeiro. Uma distinção clara foi estabelecida entre bitcoin e outras criptomoedas, de um lado, e a tecnologia subjacente por trás, o blockchain, de outro (melhor entendida como uma “tecnologia de banco de dados distribuído”). Hoje, praticamente toda grande instituição financeira a está explorando. O que fora saudado como uma grande ameaça disruptiva a esses participantes históricos evoluiu para um facilitador ainda maior para eles. Em 2016 as primeiras aplicações comerciais devem começar a aparecer.

Então, o que é? Uma vez que você retira o alarde e os crimes e acidentes associados às criptomoedas, registros distribuídos são nada mais do que uma forma nova e inteligente de tecnologia de banco de dados. Elas nascem de avanços na Internet, protocolos de código aberto, poder computacional e ciência criptográfica. São compartilhadas, replicadas, possuem bancos de dados transacionais e descentralizados.

A transação confirmada no banco de dados é adicionada a todas aquelas que a precederam e persiste para sempre como parte de um livro razão imutável. Ninguém tem o poder unilateral de editar ou revisar essa história contábil, e nenhuma entidade atua como administradora. Esses registros são continuamente replicados e sincronizados. A resiliência é reforçada pela eliminação de pontos centrais de falha: se um local sofre um ataque ou uma pane, os outros são capazes de manter a integridade dos registros. Segurança e privacidade são obtidas por meio de técnicas de verificação de credenciais sofisticadas, e os dados são protegidos através de criptografia.

A consequência de tudo isso é que registros contábeis distribuídos criam a oportunidade para que entidades independentes confiem numa mesma fonte de informações, compartilhada e segura. Entidades que necessitam saber sobre uma determinada transação financeira não incluem apenas o comprador e o vendedor e seus corretores, mas custodiantes, registradores, agências de compensação e liquidação, depositários centrais e, mais importante, reguladores. Os custos acabam cortados drasticamente, porque em vez de todos os interessados manterem seus próprios registros, um registro principal é capaz de fazer este trabalho. Isso reduz a duplicidade na manutenção de registros, elimina a necessidade de conciliação, minimiza as taxas de erro e facilita liquidações financeiras mais rápidas. Por sua vez, liquidações mais rápidas significam menos risco no sistema financeiro e requisitos de capital mais baixos.

Em contrapartida, a infraestrutura financeira tradicional baseia-se numa arquitetura de banco de dados centralizada e não-criptografada. Ela é cara, ineficiente e vulnerável a falhas operacionais e de ciberataques. As diferenças dentro e entre bancos de dados separados geram transações de dados inconsistentes que exigem custosas conciliações. Assim, muitos dos gastos operacionais das instituições financeiras se destinam a geração, comunicação e conciliação de grandes quantidades de dados. Tudo isso cria opacidade e atraso, e dificulta que reguladores se mantenham a par do que está acontecendo.

A tecnologia está evoluindo rapidamente. O blockchain original, projetado para permitir pagamentos irreversíveis entre partes que não se conhecem em uma rede pública, tem certas características que são problemáticas para instituições financeiras reguladas. Em meio a um debate acirrado sobre se isso elimina a finalidade original e a capacidade do design, alternativas – conhecidas como blockchains privadas – foram desenvolvidas. É uma tentativa de aprimorar a privacidade, a transparência e a capacidade de processamento (características importantes nos mercados de capitais regulados), ao limitar a participação entre partes conhecidas e aprovadas.

Por que, no entanto, deve um projeto de banco de dados inteligente de repente “pegar”? Afinal, a infraestrutura financeira tradicional não foi modernizada em décadas. A resposta está num percentual. O retorno médio sobre o patrimônio líquido para os grandes bancos em todo o mundo foi de 10,8% em 2014. Este foi de menos de 11,1% em 2013 e 15,8% em 2004, segundo dados da Autonomous Research. Como resultado, as taxas de retorno dos bancos estão insustentavelmente perto ou abaixo de seu custo de capital.

Isso reflete um ambiente desafiador em termos de receita, de custos crescentes e alavancagem reduzida (uma coisa boa), como resultado das reformas pós-crise. Se tornou imperativo para os bancos descobrir maneiras de reestruturar sua base de custos radicalmente e reduzir suas necessidades de capital, enquanto, simultaneamente, prestam contas às novas exigências legais que visam à uma maior transparência. É por isso que a tecnologia de consenso distribuída está atraindo tanta atenção.

 

Reação em cadeia

É uma tecnologia que tem o potencial alterar realidades comerciais. Não é uma tecnologia à procura de um problema, é uma que pode resolver problemas reais. Em outras palavras, uma tecnologia cujo tempo chegou.

Em 2016, veremos as primeiras e limitadas aplicações dessa tecnologia aplicadas aos mercados financeiro, na forma de blockchains privadas. E ao longo dos próximos cinco a dez anos as veremos evoluir, melhorar, se padronizar e proliferar, até que finalmente se tornem a nova norma.

Originalmente publicado em www.theworldin.com/…/revolutionbeyondbitcoin
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